Ironias

Já ouvi coisas muito bonitas e idealistas sobre o motivo pelo qual as pessoas escolhem uma carreira. Uns querem salvar o mundo, outros decidem pela profissão para ajudar um familiar doente, outros sonham com a ascensão financeira. No meu caso, decidi por impulso: quero o que for mais difícil. Explico: na época, lá nos anos 2000, eu estava em dúvida entre prestar História, Letras ou Jornalismo. Mas, para passar na faculdade das duas primeiras era fácil demais. Fiquei, então, com o jornalismo. No ano do meu vestibular, era a segunda carreira mais concorrida.

Faz dez anos que fiz aquela prova. E lembro que, quando entrei na faculdade, meu sonho era unir minhas três paixões: fazer um jornalismo que tivesse um quê de literatura e, além disso, participar dos momentos históricos, escrevendo sobre eles. Hoje, passados dez anos, eu me flagrei em um evento para lançamento de uma panela (!!!). Lá, foi inevitável pensar que legal mesmo seria estar na África, escrevendo sobre todas as ebulições que sacodem o continente nas últimas semanas. Apesar disso, no fundo, no fundo, percebi que o que eu gosto mesmo é de escrever. Não sobre panelas, claro, mas sobre quase qualquer coisa. Se der pra ser literário, melhor. Se der pra ser sobre uma experiência vivida, melhor ainda. Mas precisa ter papel e caneta – ou uma tela de computador.

~ por Lúcia Nascimento em 23/02/2011.

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