Uma historinha de despedida

A Doli tem várias marquinhas registradas. Uma delas é o modo como abana o rabinho, que não é igual a qualquer cachorro, não. Quando ela fica feliz, abana o rabinho em círculos, dá voltas completas. A outra marquinha são suas manchas brancas, na barriguinha e no pescoço. Elas dão a ela todo um ar sério e requintado, de cachorrinha de filme…

Mas quando a gente conheceu a Doli, ela se chamava Dunga. Foi colocada um dia na porta de casa, junto com seus dois irmãos vira-latas recém-nascidos. Era tão pequena, e tão frágil, que nem seu sexo nós conseguimos descobrir de primeira. Mas ela cresceu e aí não dava mais pra negar. Erramos no nome e tivemos que pensar em outro…

Um dia, seu irmão maior morreu. Ele tinha uns três meses. Comeu comida estragada e, como comia demais, não aguentou. Foi assim: um dia acordamos e ele não estava mais lá. Ficamos muito tristes, mas sabíamos que não tinha jeito.

A Doli foi crescendo e tomou conta do lugar. Era ela quem dava as ordens, seguidas à risca por seu outro irmão e atual marido, o Doguitos. Muito maior do que ele, com suas patinhas finas e seu porte esbelto, a Doli botou ordem no lugar. Ela decidia a hora de comer, de dormir, de brincar.

Como já eram três – porque antes deles já tínhamos a Baby, a poodle que vive dentro de casa – não quisemos mais filhotinhos. Um dia a veterinária levou a Doli para fazer uma cirurgia e aí ela nunca teria bebês. Apesar de querer um filhotinho dela, a gente também tinha medo. O parto dos cachorrinhos é sempre arriscado.

Agora a Doli já tem, na idade dos cachorros, mais de 80 anos. É velhinha, mas parece que continua igual. A diferença é que agora a Doli quer descansar. Cansou de pular na gente com suas patinhas enormes e deixar arranhões pelo corpo. Cansou de abanar o rabinho em círculos e fazer a gente rir de tão gostoso que era ver sua felicidade. Ela agora vai visitar seu outro irmãozinho. E a gente vai ficar triste, sabemos que não tem jeito. A única coisa a fazer é tentar colocar ordem de novo, qualquer ordem que seja, só pra mostrar que ela continua por aqui.

~ por Lúcia Nascimento em 24/02/2009.

2 Respostas to “Uma historinha de despedida”

  1. Uau!! Amei o novo blog, super moderno!
    Que fofo o seu texto sobre a Doli…nao sei o que eh isso pois nunca tive bichinho de estimação…quer dizer so tive um peixinho gold que matei em uma semana por comida em excesso, entao nao deu tempo de criar lacos…hehe

  2. =) Brigadinha, Dea!!

    Ah, é bem ruim. O bichinho faz tão parte da família quanto as pessoas… Claro que os sentimentos são diferentes, mas a intensidade é a mesma. Bem, ela já foi, né? Agora é cuidar bem dos que ficam, hehe.

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