De um tempo atrás

A discussão era interminável e recorrente. Sabia que sempre que algo não andava bem ela seria o alvo das brigas e sofreria com os gritos e palavras ofensivas que os dois bradavam dentro de quatro paredes. Chorava compulsivamente, berrava. Colocou-se em frente à porta para que ele não pudesse sair. Mas não podia conter-se. A situação já era irremediável.

Pensava em se matar, em quebrar todos os vidros da casa, chamar os vizinhos que espiavam pelas frestas de suas janelas para gritar que aquilo não importava a ninguém e que todos fossem à merda. Tinha ódio das pessoas e das relações que estabelecia com elas. Amava muito, talvez não soubesse expressar que amava, talvez nem amasse de verdade…

Agora estavam deitados e ela pensava em tudo que haviam dito. O quarto era amplo, uma pequena corrente de ar lhe arrepiava em intervalos pequenos, uma luz escassa lhe permitia ver suas sombras na parede também escura. Sentia um aperto no peito, daqueles que lhe angustiavam quando tinha vontade de chorar.

Ele dormia, ela sentia sua respiração perto ao peito. Queria acordá-lo, mas seu sono parecia tranquilo, diferente da pessoa com quem sempre discutia. Olhou mais uma vez para ele, tinha certeza de que estava dormindo, mas decidiu acordá-lo. As luzes que lhe permitiam ver suas sombras na parede tinham se enfraquecido. Na escuridão, perguntou se ele sabia o quanto o amava.

~ por Lúcia Nascimento em 03/04/2009.

2 Respostas to “De um tempo atrás”

  1. Profundo! soou um tanto qt familiar…

  2. haha, mas é ficção. Olha lá, foi postado em “Folhetim”!!

    Beijos

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