Welcome to the city that never sleeps – Primeira semana

Ontem fez uma semana que estou em NYC. Passei os primeiros dias tentando terminar frilas pendentes, tentando lembrar como falar as frases básicas em inglês, tentando me adaptar ao clima: extremamente quente e úmido. Ainda não conheci o suficiente para dizer o que acho de NYC, mas com certeza já tenho coisas para contar. Coloquei em subtítulos, pois escrevi tudo hoje e não quero publicar quinze posts. Quem chegar ao final (primeiro), ganha! (risos…)



PRIMEIRO DIA – AIRPORT

Entrei no avião já com fome. E, pela primeira vez na minha vida, não tinha nenhum pacote de bolachas ou barra de chocolate dentro da bolsa pra disfarçar o barulho do estômago. Provavelmente foi a correria das últimas semanas – com mudança de casa, despedidas, saída do trabalho, gripe – que fez com que eu me esquecesse de fazer a malinha de comidas para a viagem.

A questão, enfim, é que estava com fome. O voo atrasou e já era quase meia noite quando começaram a servir a janta. Nossa, não via a hora! Quando o aeromoço chegou com a janta, eu o lembrei de que tinha feito um pedido de refeição especial: era o prato vegetariano.

Mais uns minutos de espera, pois meu prato estava em um compartimento diferente. Mas eis que ele chega. Hmmm, que fome! Eu abro, vejo lá a saladinha de alface e, de sobremesa, uma salada de frutas. E abro o prato quente, já salivando. Mal sabia eu que minha janta seria um pãozinho bem do pequeno, com uma fatia fina de queijo branco – frio! Isso mesmo: FRIO! Eu, morrendo de fome, sem possibilidade de parar na loja da esquina pra comprar uma coisa qualquer, e minha janta se resumia a três folhas de alface, um pãozinho de cinco centímetros e uns dez gramas de frutas. Não preciso dizer que meu estômago roncou a noite inteira. Não comer carne quando se viaja de avião é uma das piores coisas que existem quando o assunto é comida. Mas não precisava exagerar.

Enfim, sem opções, acabei dormindo umas duas horas. Até que o sol começou a surgir do outro lado do avião e já estávamos a uma hora de NYC. Hora, então, do café da manhã. Ainda bem, eu pensei, pelo menos vai vir um pãozinho qualquer pra enganar meu estômago. HA, e quem disse que a vida é simples assim? De novo, lembro o aeromoço: o meu é o café especial, sem carne – sim, até pra isso tem que pedir especial, porque no café da manhã normal tinha presunto!

E lá vem: uma saladinha de frutas, uma geleia de uva e um potinho fechado. Eis que, ao abrir, quase queimo a mão. Lá dentro tinha arroz com passas, brócolis e um hambúrguer de soja. Oi, janta de ontem – eu pensei. Eu tinha, então, duas opções, comer os brócolis e o arroz super quente no café da manhã ou continuar morrendo de fome por mais umas três horas até o avião pousar, eu conseguir passar pela imigração e chegar a uma lojinha do aeroporto. Quem adivinhar o que eu fiz ganha um doce!



AIRPORT

Eu tenho assim qualquer coisa no sorriso que encanta as pessoas pelas ruas. Ou é minha testa que brilha mesmo, reluzindo: “fale comigo, fale comigo”. Isso serve não só para os velhinhos do ponto de ônibus que sempre resolvem contar suas vidas pra mim. Muitas vezes essa cara de menina do bem pode ter serventia.

Na imigração, o cara que me atendeu falava grosso. E era alto, e grande, e dava medo. Mas só até me fazer a fatídica pergunta: você vem do Brasil ? Claro que ele já sabia, afinal estava com meu passaporte em mãos. Eu respondi sorrindo – tática infalível – que sim, que vinha de São Paulo. E perguntei se ele conhecia o país. Pronto. Atenção desviada, ele não me fez mais nenhuma pergunta, não questionou nada que eu não soubesse responder, e ainda ficamos falando do Brasil.

Ele disse que um dia quer ir pro Brasil – e quem não quer? Eu sugeri o Rio de Janeiro, pra variar. Quando eu voltar, inclusive, talvez resolva viver lá por um tempo. Por que não?



YELLOW CABS

Para ir do aeroporto até a casa da Dea, amiga brasileira que me hospedou em todos os primeiros dias aqui em NYC, eu precisava pegar um táxi. Na minha primeira viagem sozinha – pro Chile e pra Argentina, em 2005 – saí da rodoviária com um mochilão nas costas e fui procurando um ponto de ônibus onde passasse condução pro lugar onde eu precisava ir. Mas agora estou mais velha, mais cansada, e também tenho mais do que R$ 50 na conta corrente – era mais ou menos isso o que eu tinha naquela época. Enfim, tudo isso para dizer que peguei um táxi, um yellow cab.

De cara deu pra perceber que o motorista não era norte-americano. Ele tinha um sotaque pior que o meu. Mas ele disse que nasceu em NYC. Ok, até aí cada um inventa a história que quiser pra sua própria vida. Mas logo ele começou a falar, ao telefone, em uma língua indecifrável. Enquanto isso, eu assistia a televisão que todo táxi em NYC tem para o passageiro. É, inclusive, uma rede de TV exclusiva para passar dentro dos táxis. Quando me entendiava, olhava o GPS do banco dos passageiros, que mostra as ruas em que o táxi entra. Quando me entediava, olhava a paisagem – que sinceramente não tinha muita coisa para ver.

Chegamos em mais ou menos meia hora na casa da Dea. E eu perguntei se podia pagar com cartão de crédito – afinal eu via, do banco do passageiro, a maquininha dos cartões. Ele disse que não. Ok, quis me ludibriar. Eu podia pagar com o crédito, claro. Mas ainda não sabia como brigar em inglês, hahaha. Estou aprendendo.



THE BIG ONE? NO, THANKS!

Sábado, 15 de agosto de 2009. Segundo dia em NYC. A Dea queria ver “Julia and Julie” no cinema e fomos até a Union Square, em umas salas lá perto. Eu, além de chocolate, sou viciada em pipoca. E nada melhor do que pipoca com cinema. Entramos e eu fui direto olhar os combos. Pedi o grande, afinal estávamos em três pessoas: eu, a Dea e o Al, marido dela.

Mas eu não sabia – sim, podia ter imaginado – que o grande não era só grande, era GIGANTE, IMENSO, do tamanho de metade do meu braço. E, como era um combo, vinha com dois refrigerantes que deviam ter, no mínimo, um litro cada. Welcome to America!

De fato, aqui, a principal dica para qualquer um é: nunca peça o tamanho grande. NUNCA! Você está com muita fome e acha que vai comer tudo? Mesmo assim não peça o grande! Você acha que a Lúcia é que não come nada e que por isso achou que era pipoca demais? Mesmo assim não peça o grande! Você acha que a Lúcia é uma exagerada e que a pipoca devia ter, no máximo, o tamanho de um quarto do braço dela e o refrigerante devia ser uma latinha de 300 ml? Mesmo assim não peça o grande!

Se um dia você estiver em NYC e, como eu, só entender o que está escrito no lugar dos tamanhos pequeno e grande (o médio nem sempre é “medium” e tá difícil conseguir falar as palavras que eles colocam para designar esse tamanho), escolha o pequeno. Você não vai se arrepender!



MAX BRENNER

Já dizia o velho ditado: errar é humano, persistir no erro é burrice. Saímos do cinema e fomos até a Max Brenner, uma loja de chocolates aqui de NYC. É uma loja especializada en chocolates: sobremesas, coquetéis, drinks, pequenas barras. Qualquer coisa que você possa imaginar envolvendo chocolate, lá você encontra. Olhinhos brilhando, claro. Quem é o dono dessa loja, eu pensava… Quero me casar com ele!

Pegamos umas amostras grátis. De-li-ci-o-sas! Caríssimas, não preciso dizer. Mas pelo menos a amostra era grátis. Sentamos para pedir uma sobremesa. Eu escolhi a overdose. Lúcia, presta atenção, over é maior que big, não? Lembra, traduz, se esforça. Chega o garçom: quero esta overdose, por favor.

Não preciso dizer mais nada: era um cookie de chocolate em cima e outro embaixo, formando um sanduíche. No meio, recheio de chocolate. Ao lado, uma bola de sorvete de chocolate. Em um potinho, raspas de chocolate. Em outro, aquele chocolate quente que fica duro quando é jogado em cima do sorvete.

Será que se eu disser que não consegui olhar pra chocolate por um dia inteiro depois disso vocês acreditam que a dica é sincera? Nunca – e nunca significa nunca – peça o tamanho grande. NUNCA!



O LADO BOM DO “BIG”

No meu primeiro dia de NYC eu comprei um celular. Com ele, posso fazer ligações ilimitadas dentro do país e para qualquer telefone fixo, no mundo inteiro. Tá aí uma parte do “big” que é interessante. Aqui, tudo você consegue comprar para usar ilimitadamente – e, no geral, compensa. Comprei também um cartão do metrô ilimitado. Por um mês, posso entrar no metrô quantas vezes quiser. E, em uma cidade em que o metrô te leva para qualquer lugar, nada melhor!

Ok, a parte boa do “big” não é tão extensa quanto a negativa. Mas quem sabe eu não encontre mais exemplos nos próximos meses?



ATLANTIC BEACH

Imagine São Paulo – com a correria, a necessidade de trabalhar vestido a rigor, a aglomeração de pessoas nas calçadas – unida ao clima do Rio de Janeiro – úmido, 40 graus à sombra, suor e roupas grudando. Esse é o clima de NYC no verão. É impossível ficar dentro de casa. O clima deve chegar, sem exagero, próximo dos 45 graus. Suar, nesse caso, significa parecer que você saiu do banho sem se enxugar.

Por isso, nada melhor do que aproveitar esse calor todo para ir pra praia. E foi o que fizemos no meu primeiro domingo em NYC. Fomos para Long Island, onde fica Atlantic Beach. Primeiro, é importante dizer que qualquer lugar aqui em NYC tem bandeiras dos Estados Unidos hasteadas. Inclusive a praia. Além disso, é importante dizer que, para quem já foi para o Rio de Janeiro, praia só é praia de verdade lá.

Não é reclamação, antes que vocês pensem isso. É comparação. As mulheres aqui, por exemplo, usam biquinis grandes. Bem grandes. Às vezes maiô. E todos ficam sentados na cadeira de praia. Ninguém estava deitado na canga tomando sol para se bronzear. E as ondas são poucas, nada que impressione.

Pode ser que esse exemplo seja restrito, afinal conheci apenas uma praia até agora. Vou me esforçar para melhorar as comparações com mais experiências, haha. Mesmo assim, nada melhor do que ir para a praia depois de meses usando casacos de inverno em São Paulo. Exagerei no protetor, porque minha cor transparente anda mais transparente que o comum – e o sol estava dos mais quentes. Resultado: continuo transparente.



THIS IS NYC!

Saí do metrô um tanto desgovernada. Sabia para onde ir e tinha que andar um pouco, mas não sabia exatamente onde essa saída do metrô era. A cada degrau que eu subia, para sair do subterrâneo, eu fazia mais cara de “nossa, isso é NYC! Uou!”. Eu saí exatamente na Times Square, uma praça que fica na Broadway, a avenida dos teatros e das luzes nesta cidade.

A primeira coisa que pensei, assim que consegui pensar em alguma coisa, foi: isto não é absolutamente nada ecológico. Mas, de verdade, apagar as luzes da Broadway seria como apagar o Corcovado do Rio de Janeiro. É realmente impressionante o que é esse lugar. Foi a primeira vez que eu senti, de verdade, que estava em NYC. Nada das construções típicas, da multiplicidade de gentes, dos metrôs para todo lado. A cara desta cidade é a Broadway: exagerada, luminosa, colorida, 24 horas. Welcome to the city that never sleeps!

~ por Lúcia Nascimento em 24/08/2009.

3 Respostas to “Welcome to the city that never sleeps – Primeira semana”

  1. Haha, é verdade, tudo é oversized. O pequeno aí é o grande no Brasil. Depois você volta pro Brasil achando tudo caro, porque as embalagens são minúsculas.

    E biquini aqui na Austrália também é tudo gigante. Mas, por outro lado, topless é super popular. Diferenças culturais!

  2. hahaha, muitas diferenças!

    Eriqueta, quais são seus lugares imperdíveis aqui? Preciso fazer uma listinha! =)

  3. Só agora entendi por que tinha recebido uma camisa gigante quando vc foi pra Disney. Na minha ingenuidade ficava aquela ideia de que toda criança acha seu pai o maior, o super. Qual nada! Deve ter pedido o “p”. Hahahaa

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