Do Harlem ao Village

Harlem – parte 1

Vivi por dez dias no Harlem, depois de me mudar da casa da Dea. Entre os anos 1960 e 1980, a região não era das mais bem faladas da cidade. Violência, guetos, lugar não muito indicado para turistas. Mas, hoje, apesar de ainda ser considerado a periferia da cidade, é bastante aconchegante. Não pense que você vai andar pelas ruas do Harlem ouvindo seu MP3 ou pensando na vida. Não! Você vai ter que falar muitos “bom dia”, no mínimo. E ouvir muitas vezes que sua roupa é linda. Ou que seu cabelo hoje está fantástico. E por aí vai.

Sinceramente, pra quem é brasileiro, isso é fichinha. Aqui os comentários soam muito mais como elogio do que no Brasil. Ninguém enche a boca pra chamar uma mulher de gostosa no Harlem. As pessoas dizem que você é linda como dizem bom dia ou obrigada. Sem nenhuma entonação que dê medo.

Mas o Harlem é muito mais do que a periferia de Manhattan. Lá vive a maior parte da comunidade africana de NYC. E lá – só lá, acho… – é possível encontrar homens e mulheres se vestindo exatamente como se vestiam em seus países africanos. (Ah, para quem nunca ouviu falar do Harlem, talvez seja necessária mais uma informação. Lá é basicamente uma comunidade negra em NYC. Por isso, para eles, é fácil perceber que eu não era de lá…).

Village – parte 2

Se existe alguma coisa nesse mundo que eu odeio é procurar casa e apartamento. Me mudei de casa quatro vezes (três delas com meus pais) e lembro que eu odiava sair com eles visitando casas e perdendo dias pelas ruas em busca de lugares para alugar. Na casa em que eles moram hoje eu lembro que não fui conhecer nem quando ela já estava comprada, fui apenas alguns dias antes da gente se mudar de fato.

Por isso, minhas primeiras três semanas aqui em NYC foram estressantes. O mercado imobiliário aqui é louco e os preços dos aluguéis são piores ainda. Encontrar algo razoável por um preço que seja possível pagar é quase impossível. Mas dá para achar.

Tanto que ontem me mudei para o Village (depois de ficar 10 dias na casa da Dea e 10 dias no hostel no Harlem). Vou dividir um apartamento pequeno – de um quarto só – com uma brasileira de 50 anos, que vive nos Estados Unidos há mais de 20 anos. Me senti bem com ela: nada de bagunça, apartamento limpo, sem regras loucas do tipo “você precisa estar em casa antes das 2h da manhã”.

E o melhor de tudo: o Village é uma das melhores áreas da cidade, acho que eu compararia à Vila Madalena em São Paulo. Casas pequenas, mas confortáveis. Gente de todo jeito, despretenciosamente caminhando pelo bairro. Parque aconchegante a três quarteirões. Barzinhos tão perto que dá pra voltar a pé para casa a qualquer hora.

Não ter que pensar mais em procurar apartamento me tirou um peso imenso das costas. Finalmente, depois de três semanas, vou começar a curtir meu tempo em NYC sem a preocupação de “hoje preciso ficar a tarde inteira na internet procurando um lugar pra morar”. Figas para dar certo!

~ por Lúcia Nascimento em 08/09/2009.

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